Distrito de Viseu

Distrito de Viseu

 

Distrito de Viseu é um distrito português pertencente, na sua maior parte, à província tradicional da Beira Alta, mas incluindo também concelhos pertencentes ao Douro Litoral e a Trás-os-Montes e Alto Douro. Limita a norte com o Distrito do Porto, o Distrito de Vila Real e o Distrito de Bragança, a leste com o Distrito da Guarda, a sul com o Distrito de Coimbra e a oeste com o Distrito de Aveiro. É o único distrito português que não faz fronteira nem com o mar nem com Espanha. Área: 5007 km² (maior distrito português). População residente (2001): 394 927. Sede de distrito: Viseu.

 

Viseu

Viseu

 

 

O distrito de Viseu subdivide-se nos seguintes 24 municípios:

* Armamar
* Carregal do Sal
* Castro Daire
* Cinfães
* Lamego
* Mangualde
* Moimenta da Beira
* Mortágua
* Nelas
* Oliveira de Frades
* Penalva do Castelo
* Penedono
* Resende
* Santa Comba Dão
* São João da Pesqueira
* São Pedro do Sul
* Sátão
* Sernancelhe
* Tabuaço
* Tarouca
* Tondela
* Vila Nova de Paiva
* Viseu
* Vouzela

Na actual divisão principal do país, o distrito divide-se entre a Região Centro e a Região Norte. Os concelhos da Região Centro, acrescidos de um concelho pertencente ao Distrito da Guarda, constituiem a subregião de Dão-Lafões, ao passo que os concelhos da Região Norte se dividem pelas subregiões do Tâmega e do Douro. Em resumo:

* Região Norte
o Douro
+ Armamar
+ Lamego
+ Moimenta da Beira
+ Penedono
+ São João da Pesqueira
+ Sernancelhe
+ Tabuaço
+ Tarouca
o Tâmega
+ Cinfães
+ Resende
* Região Centro
o Dão-Lafões
+ Carregal do Sal
+ Castro Daire
+ Mangualde
+ Mortágua
+ Nelas
+ Oliveira de Frades
+ Penalva do Castelo
+ Santa Comba Dão
+ São Pedro do Sul
+ Sátão
+ Tondela
+ Vila Nova de Paiva
+ Viseu
+ Vouzela

 

Viver em Viseu

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Símbolos e etimologia

 

Segundo a lenda da cidade, em pleno processo de Reconquista, um membro de um grupo de guerreiros chegado à cidade pelo lado oriental, onde se intersectam os rios Pavia e Dão, perguntou: «Que viso (vejo) eu?». Desta pergunta, nasceria o nome da cidade.

No entanto, entre os anos 712 e 1057, intervalo da ocupação moura, Viseu era conhecida por Castro Vesense — Vesi significada “visigodo”.

Outra lenda, mais verossímil e referida no brasão da cidade, sugere que teria vivido na região um rei de nome D. Ramiro II (provavelmente Ramiro II de Leão) que, em viagem para outras terras, conheceu Sara, a irmã de Alboazar, rei do castelo de Gaia, por quem se apaixonou. Tal foi a paixão que se apoderou do rei, que este raptou Sara. Ao saber do sucedido, o irmão de Sara vingou-se raptando a esposa do rei, D. Urraca. Ferido no orgulho, D. Ramiro teria escolhido em Viseu alguns dos seus melhores guerreiros para o acompanharem, penetrando sorrateiramente no castelo, e deixando os guerreiros nas proximidades. Enquanto Alboazar caçava, D. Ramiro conseguiu entrar no castelo e encontrar D. Urraca que, sabendo da traição do marido, recusou-se a acompanhá-lo. Quando Alboazar regressou da caça, D. Urraca decide vingar-se do marido mostrando-o ao raptor. Ramiro, aprisionado e condenado à execução, pede para, como último desejo, morrer ao som da sua buzina, que era o sinal que tinha combinado com os soldados para entrarem no castelo. Ao final do sexto toque, os soldados cercam imediatamente o castelo, incendiando-o. Alboazar morreria às mãos dos soldados do rei Ramiro.

 

História

As origens da cidade de Viseu remontam à época castreja e, com a Romanização, ganhou grande importância, quiçá devido ao entroncamento de estradas romanas de cuja prova restam apenas os miliários (passíveis de validação pelas inscrições) que se encontram: dois em Reigoso (Oliveira de Frades), outros dois em Benfeitas (Oliveira de Frades), um em Vouzela, dois em Moselos (Campo), um em São Martinho (Orgens), um na cidade (na Rua do Arco), outro em Alcafache (Mangualde) e mais dois em Abrunhosa (Mangualde); outros mais existem, mas devido à ausência de inscrições, a origem é duvidosa. Estes miliários alinham-se num eixo que parece corresponder à estrada de Mérida (Espanha), que se intersectaria com a ligaçãoOlissipo-Cale-Bracara, outros dois pólos bastante influentes. Talvez por esse motivo se possa justificar a edificação da estrutura defensiva octogonal, de dois quilómetros de perímetro — aCava de Viriato.5

Viseu está associada à figura de Viriato, já que se pensa que este herói lusitano tenha talvez nascido nesta região. Depois da ocupação romana na península, seguiu-se a elevação da cidade a sede de diocese, já em domínio visigótico, no século VI. No século VIII, foi ocupada pelos muçulmanos, como a maioria das povoações ibéricas e, durante a Reconquista da península, foi alvo de ataques e contra-ataques alternados entre cristãos e muçulmanos. De destacar a morte de D. Afonso V rei de Leão e Galiza no cerco a Viseu em 1027 morto por uma flecha oriunda da muralha árabe (cujos vestígios seguem a R. João Mendes, Largo de Santa Cristina e sobem pela R. Formosa). A reconquista definitiva caberia a Fernando Magno, rei de Leão depois de assassinar em 1037 o legítimo rei Bermudo III (filho de Afonso V) vencedor da batalha de Cesar em 1035 (segundo a crónica dos Godos).

Mesmo antes da formação do Condado Portucalense, Viseu foi várias vezes residência dos condes D. Teresa e D. Henrique que, em 1123 lhe concedem um foral. Seu filho D. Afonso Henriques terá nascido em Viseu a 5 de Agosto de 1109, segundo tese do historiador Almeida Fernandes. O segundo foral foi-lhe concedido pelo filho dos condes, D. Afonso Henriques, em 1187, e confirmado por D. Afonso II, em 1217.

Viseu foi constituído senhorio pela primeira vez a 7 de Julho de 1340, data em que D. Afonso IV o doou a sua nora D. Constança, quando do seu casamento com seu filho sucessor, o futuro D. Pedro I. Por morte desta rainha, seu marido doou o senhorio, a 9 de Junho de 1357, a sua própria mãe, a rainha Beatriz de Castela, viúva de D. Afonso IV. Quando D. Beatriz morreu, em 1359, o senhorio de Viseu voltou à coroa, até que a 2 de Outubro de 1377 o rei D. Fernando I, filho da antedita rainha D. Constança, o doou a sua filha natural a condessa D. Isabel, que foi senhora de Viseu até 1383 e aí mandou construir uma torre, onde ficava quando estava na cidade. Com a crise dinástica, o senhorio voltou à coroa, até à criação do ducado de Viseu em 1415.

Já no século XIV, durante a crise de 1383-1385, Viseu foi atacada, saqueada, e incendiada pelas tropas de Castela e D. João I mandou erigir um cerco muralhado defensivo6 — do qual resta pouco mais que a Porta dos Cavaleiros e a Porta do Soar, para além de escassos troços de muralha — que seriam concluído apenas no reinado de D. Afonso V — motivo pelo qual a estrutura é conhecida pelo nome de muralha afonsina — já com a cidade a crescer para além do perímetro da estrutura defensiva.

No século XV, Viseu é doada ao Infante D. Henrique, na sequência da concessão do título de Duque de Viseu, cuja estátua, construída em 1960, se encontra na rotunda que dá acesso à rua do mesmo nome. Seu irmão D. Duarte, (rei) nasceu em Viseu, 31 de Outubro de 1391.

No século XVI, em 1513, D. Manuel I renova o foral de Viseu, e assiste-se a uma expansão para actual zona central, o Rossio que, em pouco tempo, se tornaria o ponto de encontro da sociedade, e cuja primeira referência data de 1534. É neste século que vive Vasco Fernandes, um importante pintor português cuja obra se encontra espalhada por várias igrejas da região e no Museu Grão Vasco, perto da Sé.

No século XIX é construído o edifício da Câmara Municipal, no Rossio, transladando consigo o centro da cidade, anteriormente na parte alta. Daí ao cume da colina, segue a Rua Direita, onde se encontra uma grande parte de comércio e construções medievais.

 

Município e organização administrativa

Freguesias

As freguesias de Viseu são 34 e são as seguintes:

  • Abraveses (expansão urbana)
  • Barreiros
  • Boa Aldeia
  • Bodiosa
  • Calde
  • Campo (expansão urbana)
  • Cavernães
  • Cepões
  • Coração de Jesus (centro)
  • Cota
  • Couto de Baixo
  • Couto de Cima
  • Fail
  • Farminhão
  • Fragosela (expansão urbana)
  • Lordosa
  • Mundão (expansão urbana)
  • Orgens (expansão urbana)
  • Povolide
  • Ranhados (expansão urbana)
  • Repeses (expansão urbana)
  • Ribafeita
  • Rio de Loba (expansão urbana)
  • Santa Maria de Viseu (centro)
  • Santos Evos
  • São Cipriano
  • São João de Lourosa
  • São José (centro)
  • São Pedro de France
  • São Salvador (expansão urbana)
  • Silgueiros
  • Torredeita
  • Vil de Souto
  • Vila Chã de Sá

Arqueologia

  • Cava de Viriato
  • Muralha romana de Viseu
  • Basílica altomedieval de Viseu

Arquitectura militar

  • Muralhas de Viseu: Porta do Soar e Porta dos Cavaleiros, portas antigas de Viseu

Arquitectura religiosa

  • Sé de Viseu
  • Igreja da Misericórdia de Viseu
  • Igreja dos Terceiros
  • Igreja do Carmo
  • Igreja de Santo António (Viseu)
  • Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Ribeira
  • Igreja de São Miguel do Fetal
  • Igreja do Seminário Maior
  • Capela de Nossa Senhora da Vitória (Viseu)
  • Capela da Via Sacra
  • Capela de Nossa Senhora dos Remédios
  • Capela de São Sebastião

Arquitectura civil

  • Paço da Torre da rua de D. Duarte (antiga rua da Cadeia)
  • Casa do Miradouro
  • Paço dos Três Escalões – ocupado pelo Museu Grão Vasco
  • Solar dos Condes de Prime – ocupado pelo espaço Internet
  • Solar dos Condes de Treixedo – ocupado pelo Montepio Geral
  • Casa de São Miguel
  • Casa do Rossio
  • Casa de Henrique Felgar na Cava do Viriato
  • Casa do Lago na Quinta da Machada (Cava do Viriato)
  • Solar do Vinho do Dão – Antigo Paço Episcopal
  • Edifício da Câmara Municipal
  • Banco de Portugal
  • Casa da Quinta da Cruz
  • Palácio dos Melos, Hotel de charme de 5 estrelas
  • Casa da Sé, Hotel de Charme – Small Luxury Hotel

Cultura

Desde o século XVIII, Viseu passou a dispor de duas feiras: a de todas as primeiras terças-feiras de cada mês, que actualmente se realiza às terças-feiras, todas as semanas; e a Feira Franca, anual, cuja referência se tem durante um inquérito realizado para o Dicionário Geográfico de Luís Cardoso, em 1758, em que um cura da cidade afirma que as produções agrícolas da cidade «não só fazem a terra abundante mas sustentam por mais de doze dias, quatro ou cinco mil pessoas que efectivamente habitam nesta cidade pelo tempo da Feira Franca».

Alguns autores atribuem a criação da feira a D. Sancho I (1188) e a sua legalização por D. João I, mas foi D. Duarte que a transferiu para a Ribeira, mais tarde denominado Campo de Viriato, e para o dia 21 de Setembro, dia de São Mateus. A feira seria suspendida até ao restabelecimento por D. Afonso V, agora de duração de 15 dias, e com início a 20 de Outubro, a decorrer novamente dentro da Cava. Já no reinado de D. Manuel I, a feira é deslocada para oRossio de Santo António, actual Praça da República e, mais tarde, retransladada para o Campo de Viriato, desta vez a decorrer entre 5 de Outubro e 8 de Setembro. Nos dias de hoje, a feira tornou-se também conhecida por Feira de São Mateus.

Museus

Museu Grão Vasco

As pinturas de Vasco Fernandes e de outros artistas da escola de Viseu, são apreciadas pelo seu naturalismo e pelas paisagens de fundo. O tratamento da luz revela uma influência flamenga. No terceiro piso do museu são exibidas as obras-primas que outrora adornavam um retábulo da catedral.

Casa Museu Almeida Moreira

O museu está instalado na casa que foi residência do capitão Francisco António de Almeida Moreira, a qual, com o recheio constituído por biblioteca e peças várias, pinturas, mobiliário, porcelanas e escultura, doou para museu-biblioteca patente ao público.

Outros museus importantes
  • Museu de Arte Sacra na Sé de Viseu
  • Casa da Ribeira – museu do artesanato ** Eco Museu Torredeita
  • Casa da Lavoura e Oficina do Linho – Museu Etnográfico – Várzea – Calde
  • Museu Etnográfico de Silgueiros
  • Museu Etnográfico de Vila Chã de Sá
    • Museu do Quartzo – museu do quartzo

Salas de espectáculos

    • Teatro Viriato na Avenida Emidio Navarro com 350 lugares
    • Pavilhão Multiusos de Viseu no Campo de Viriato com 2500 lugares
    • Auditório Mirita Casimiro (Cine Clube de Viseu) na Rua Alexandre Lobo com 250 lugares

Galerias de Arte

Viseu tem 3 galerias de arte contemporânea e 3 espaços de exposição de arte contemporânea:

  • Galerias:
    • António Henriques
    • 4 Montras
    • Mitóarte – escola e galeria de arte
  • Espaços:
    • Pavilhão Multiusos – exposições temporárias
    • Teatro Viriato – exposições temporárias
    • Auditório Mirita Casimiro – exposições temporárias

Economia

Viseu caracteriza-se como um centro administrativo, de comércio e de serviços. O sector agrícola ocupa apenas 2% da população activa, em especial na produção hortícola, fruta, designadamente maçã e viticultura, especialmente os vinhos maduros DOC Dão e os verdes de Lafões. Até à década de 1980, houve a extração de minério de tungsténio e quartzo na exploração mineira do Monte de Santa Luzia, para alimentação da ENU – Empresa Nacional de Urânio e dos Fornos Eléctricos de Canas de Senhorim, entretanto desactivada.

O sector secundário, com uma actividade centrada em empresas de média dimensão, ocupa 16% da população. A indústria viseense produz, essencialmente, têxteis e têxteis-lar, mobiliário, metalurgia, máquinas e equipamentos industriais, agroquímicos e componentes automóveis. Importante, igualmente, a indústria da construção civil. O sector de serviços ocupa 83% da população activa.

Viseu possui a sede do maior grupo empresarial do país, a Visabeira. Possui no seu distrito das maiores frábricas de Portugal tais como: Martifer- Empresa de Grande dimensão virada para o comércio e implementação de grandes estruturas metálicas e, mais recentemente, apostou nas energias renováveis sendo já um dos maiores fabricantes mundiais de torres Eólicas e Futuramente painéis Fotovoltáicos. Visabeira. Soima – Considerada um dos maiores Fabricantes de gruas da Europa. PSA Peugeot Citroen – Uma das maiores fábricas de automóveis de Portugal. Emprega cerca de 4000 funcionários.

Viseu pela sua importância regional, é há muito tempo chamada o centro comercial da beira, ora antes pelo seu imenso comércio, ora actualmente pela sua oferta diversificada de centros comerciais.

Pontos Comerciais

A Cidade de Viseu possui diversas áreas comerciais, entre as quais:17

  • Palácio do Gelo Shopping: Inaugurado oficialmente a 15 de Abril de 1998, este é o maior centro comercial de Portugal em área comercial (175 000 m²) e possui 164. Conta como lojas âncoras o Hipermercado Jumbo, Fnac (2.ª maior do país), Rádio Popular (a maior do país), Izi, C&A, H&M, Sport Zone, T&R, Natura, Polar e Brincar e ForLife, e Desigual. Das seis salas de cinema Zon Lusomundo, uma delas tem equipamento 3D. As principais atracções são o Bar de Gelo (único em Portugal e na Europa), a Pista de Gelo e ainda os Terraços Panorâmicos com vista para as Serras da Estrela e Caramulo. Catarina Furtado é a ‘imagem’ do centro comercial.:18

    Palácio do Gelo, Viseu - Fotografia Valentin Enrique

    Palácio do Gelo, Viseu – Fotografia Valentin Enrique

  • Fórum Viseu: Aberto desde o feriado municipal de 2005, esta área comercial junta 82 superfícies comerciais, com a beleza do centro da cidade e também do Rio Pavia.

    Centro comercial Forum Viseu

    Centro comercial Forum Viseu

  • Viseu Retail Park: Conta com 15 lojas. Situado na freguesia de Fragosela, foi aberto em Maio de 2007.
  • Viseu Shopping: Com a abertura do Continente no Viseu Retail Park, o Centro Comercial Continente de Viseu será alvo de uma profunda remodelação, ficando semelhante ao Centro Comercial Continente de Portimão. Terá 40 a 60 lojas e 6 salas de cinema.

Devido à existência cada vez mais de grandes centros comerciais foi lançada a ideia de se constituir um centro comercial a céu aberto só de comércio tradicional localizado na Rua Direita e transversais com 300 lojas (as existentes), instalando uma cobertura de vidro e melhorando as condições de estacionamento.

A ideia foi apoiada pelo Grupo Visabeira e pela Associação Comercial de Viseu.

 

Fonte: Wikipedia

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