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Igreja da Misericórdia – Viseu

Igreja da Misericórdia – Viseu

Situada num dos extremos da praça da Sé de Viseu, a monumental Igreja da Misericórdia é uma construção da segunda metade do século XVIII, cujas obras tiveram início no ano de 1775, marcada por uma linguagem arquitetónica rocaille.
A Misericórdia viseense foi erguida sobre as fundações do primeiro templo desta irmandade, construção primitiva que tinha sido mandado edificar durante o reinado de D. Manuel I.

Ocupando um amplolargo murado, ao qual se acede por uma pequena escadaria, a Igreja da Misericórida é marcada por uma soberba e monumental fachada de estilo rocaille de cinco corpos, com o pano central mais comprido e mais elevado, rasgado por um portal contracurvado e moldurado por pilastras reentrantes, sobre o qual se desenvolve a varanda -balaustrada do alto, com as suas três janelas de sacada e de moldura contracurvada.
Superiormente, o corpo central da fachada é terminado por empena ondeada, de linhas mistilíneas, e encimada por cruz latina.
Ladeiam o corpo central dois outros de menores dimensões, rasgados simetricamente por portas e janelas de molduras contracurvadas e reentrantes, sendo a cimalha rematada por uma comprida e elegante balaustrada com urnas pinaculares.

Igreja da Misericórdia - Viseu

Igreja da Misericórdia – Viseu

No enfiamento dos corpos dos flancos erguem-se, a um nível mais recuado, as duas altas torres sineiras, marcadas por balaustrada com urnas pinaculares e cobertas por coruchéus piramidais moldurados.

O interior do templo é austero, constituído por amplo corpo de uma só nave, coberto por abóbada de berço, e capela-mor, articulando-se ambos os espaços por um arco triunfal com frontão curvo, realizado no século XIX e que substitui um elemento arquitetónico anterior.

A capela-mor é marcada por um retábulo do século XIX (c. 1871), obra clássica de grandes dimensões, contendo um desenvolvido camarim central de arco de volta perfeita ladeado por dois pares de colunas coríntias.
O mesmo esquema compositivo, embora de menores dimensões, preside à conceção dos altares colaterais. O altar do lado do Evangelho expõe uma interessante composição escultórica da Visitação, obra realizada em 1875, em madeira policromada e da autoria do artista local José Monteiro Nelas.

Nas paredes da igreja expõem-se algumas telas oitocentistas, nomeadamente as pinturas alusivas à Visitação e a N. Sra. das Dores, datadas de 1885 e concebidas, igualmente, por um pintor de Viseu,António José Pereira.

Igreja da Misericórdia de Viseu. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2014-04-15].
Disponível na www: http://www.infopedia.pt/$igreja-da-misericordia-de-viseu

Igreja da Misericórdia - Viseu

Igreja da Misericórdia – Viseu

Descrição

A Igreja da Misericórdia começou a ser edificada em 1775, sendo o mestre pedreiro António da Costa Faro o responsável pela obra e talvez também o autor do desenho da fachada, que apresenta muitas semelhanças com o da Igreja dos Terceiros (Viseu). O corpo central da fachada prolonga-se por mais dois corpos laterais, dando à igreja ares de solar, nos últimos dos quais assentam, de forma incaracterística, as duas torres sineiras.

A igreja tem três retábulos de estilo Neoclássico, no trono do retábulo-mor repousa a imagem da Nossa Senhora da Misericórdia.

Na Igreja da Misericórdia destaca-se: o grupo escultórico a Visitação, do escultor viseense José Monteiro Nelas (1875), e as telas Visitação e Nossa Senhora das Dores (1885), do pintor também da mesma cidade, António José Pereira (1821-1895).

 

 

Igreja da Misericórdia - Viseu

Igreja da Misericórdia – Viseu

A ARQUITECTURA DAS IGREJAS DE MISERICÓRDIA

As igrejas de Misericórdia como um todo, apresentam diferentes épocas construtivas e são o resultado da sua progressiva evolução, com as sucessivas reformas, modificações e, em muitos casos, adulterações mais ou menos significativas. Seguem as tendências estéticas e artísticas da região em que se implantam, da época em que nelas se interveio e até o gosto dos seus promotores. Atente-se, por exemplo, nas Misericórdias da região de Coimbra, que seguem a tradição coimbrã da escultura decorativa, quer no exterior, quer na retabulística interior; nas da região de Viana do Castelo, mais influenciadas pela tratadística e pela obra dos engenheiros militares; ou nas da região do Alentejo, com os elementos estruturais sublinhados a ocre ou azul e a pintura mural a enriquecer o seu interior.

Em quase todas as igrejas construídas na centúria de quinhentos é notória uma intervenção durante o século XVII, o “século de ouro” das Misericórdias, seja em termos de ampliação ou apenas reforma decorativa, o que contribuiu para uma certa uniformidade estilística com características maneiristas. Estes mesmos edifícios viriam a sofrer obras, mais ou menos profundas, na centúria seguinte.

Em termos estruturais e de linguagem estética e artística, sobretudo exterior, as igrejas de Misericórdia apresentam muitas características comuns às das igrejas paroquiais. Ainda assim, as Santas Casas irão desenvolver características tipológicas específicas, que um olhar mais atento permite individualizar no panorama patrimonial nacional.

Planimetricamente apresentam planta rectangular longitudinal, com a fachada principal desenvolvida na face mais estreita, ou rectangular de eixo longitudinal interno, com a fachada principal desenvolvida na face mais comprida do rectângulo, à semelhança das igrejas monacais. Esta solução, mais incidente em alguns distritos, como o de Viana do Castelo, por exemplo, ainda não foi devidamente estudada, mas poderá ter surgido como adaptação à exiguidade do espaço disponível para construção e como intenção de direccionar a fachada principal para a via pública mais importante.

Independentemente desta opção, as igrejas possuem maioritariamente uma nave e presbitério sobrelevado, uma tipologia tardo-renascentista, segundo Rafael Moreira, ou planta composta por nave e capela-mor, seguindo o esquema mais tradicional no país.

Menos frequentes, são as igrejas de três naves, que também podem surgir com presbitério (Santarém e Tavira) ou capela-mor (Elvas). A Misericórdia de Beja tem igualmente três naves e presbitério, mas constitui um caso à parte, visto ter sido construída inicialmente como mercado municipal e ter arcadas em três das suas fachadas. Existem ainda três igrejas com transepto inscrito (Viana do Castelo, Castelo de Vide e Montemor-o-Velho), todas de eixo longitudinal interno, fachada principal na face mais comprida e com cúpula a cobrir a capela-mor, e uma em cruz grega (Faro).

As fachadas principais são normalmente simples e terminam predominantemente em empena ou em frontão, mas as igrejas de construção mais tardia podem apresentar maior dinamismo, e ter frontões recortados ou tabela, ser divididas em vários panos e registos, atingindo o número máximo de cinco panos (Viseu), duas delas apresentando galilé (Chaves e Porto); podem integrar torres sineiras laterais ou simples sineiras, transformando-as em fachadas harmónicas (Guarda, Penalva do Castelo, Viseu, Ourique, Campo Maior e outras). Apenas a Misericórdia de Vila Flor possui fachada torre, e essa resulta de uma reforma do século XIX.

O esquema de vãos pode ser simples, formado apenas pelo portal, em arco ou de verga recta (Algoso, Penamacor), ou composto por um ou mais eixos de vãos, o central, formado pelo portal enquadrado por colunas ou pilastras ornadas, suportando entablamento decorado, sobreposto por nicho com imagem ou baixo-relevo / brasão com as armas nacionais, símbolo da protecção régia / janela ou óculo, num esquema alternado (Freixo de Espada-à-Cinta, Bragança, Arcos de Valdevez, Arganil, Vila Cova de Alva, Tentúgal), enquadrado por janelas ou óculos circulares (Buarcos, Santarém, Pereira), por vezes sobrepostos sobre si mesmos ou sobre portais, formando eixos laterais (Mirandela, Arcos de Valdevez, Santar, Mangualde). O estudo mais profundo de algumas Misericórdias permite-nos verificar que muitas das janelas do frontispício foram rasgados no séculoXVIII,período em que se procurou aumentar a luminosidade no interior das igrejas. (…)

Informação recolhida em: Colecção KITS – Património | Coordenação: João Vieira e Manuel Lacerda
http://www.monumentos.pt/site/DATA_SYS/MEDIA/Estudos%20e%20Documentos/KIT06.pdf

Igreja da Misericordia, Viseu

Igreja da Misericordia, Viseu

Acessos

Largo da Sé. WGS84 (graus decimais) lat.: 40,660232, long.: -7,911896

Protecção

Em vias de classificação; incluído na Zona de Protecção da Sé de Viseu (v. IPA.00005790)

Grau

2 – imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano, no cimo de monte, isolado, desenvolve-se a sua fachada em superfície plana, para o Lg. da Sé, enquanto os restantes alçados se implantam em terreno de acentuado declive, separado por adro, muro e vias públicas. Acesso efectuado por dois lanços de escadas, o primeiro com nove degraus e o segundo com três, que acedem a amplo adro murado, protegido por guarda de cantaria, decorada com elementos geométricos vazados, que abre para o terreiro da Sé. Junto, situa-se os Paços dos Bispos, a Sé de Viseu e o Chafariz no Largo da Misericórdia (v. PT021823240054).

Descrição Complementar

Porta de entrada dividida em almofadas, com decoração de concheados e fitomórfica. Os retábulos laterais, em talha pintada de branco e dourada, seguem a mesma tipologia, de planta convexa, com tribuna ladeada por colunas e pilastras, as primeiras rematadas por urnas floridas. Superiormente frontão semicircular e, na base da tribuna, sacrário em forma de templete, tendo, na porta, a representação de uma custódia e cálice. Altar em forma de urna, com decoração fitomórfica, com festões e vasos floridos. Órgão com coreto decorado com marmoreados e apontamentos dourados, assente em mísula. A caixa possui consola em janela, ladeada por portas de acesso ao inteior, tendo, superiormente, castelo de disposição convexa e dois nichos laterais, divididos por pilastras, sobre as quais surgem urnas floridas. Gelosias decoradas com talha dourada fitomórfica.

Época Construção

Séc. 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: António Mendes Coutinho (atr.). CAIADOR: João da Costa (1863-1878) José Caetano (1880). CARPINTEIRO: José Rodrigues de Loureiro (1877-80). ENSAMBLADOR: António Pinto Arouca (1879). ENTALHADORES: Manuel Vieira da Silva (1726); João Pinto (1870-1880). ESCULTORES: José Monteiro Nelas (1875), José Lopes Grilo, Alexandre de Resende Malafaia (1731). FERREIRO: António de Sousa (1864); João Rodrigues de Loureiro (1877). LATOEIROS: Francisco Correia (1878), José Serafim de Almeida. MARCENEIRO: Joaquim Paulo (1863), João Fernandes (1879), Januário Baptista (1879-1181). OLEIRO: Joaquim Augusto Pereira (1881). ORGANEIRO: Padre António Duarte Moura (1869). PARAMENTEIRO: José de Almeida Bomba (1871). PEDREIROS: Domingos Francisco (1702), João Duarte, Francisco João, Bartolomeu João, Manuel Martins e António Martins (1703). Manuel Ribeiro (1748); António de Almeida (1749), António da Costa Faro (1775), António Marques Carolino e Serafim Lourenço Simões (1870 – 1883). PINTORES: Manuel Fernandes (1743), António José Pereira, José de Almeida Furtado (1856-1885), José Coelho Balsa (1870). PINTORES – DOURADORES: Baltasar Pinto da Mota (1699); Manuel de Miranda Pereira (1731-1745); António Ferreira da Silva e Francisco Ferreira da Silva (1856); Miguel Monteiro de Albuquerque (1870), Francisco Bernardo de Loureiro (1880), Francisco Rodrigues de Loureiro, João Monteiro (1882), Ricardo Alberto da Fonseca (1883). SERRALHEIRO: Manuel Ferreira de Figueiredo (séc. 19).

Cronologia

Séc. 16 – instituição da Santa Casa da Misericórdia de Viseu, sendo o seu primeiro provedor D. Diogo Ortiz de Vilhegas; 1516, 20 Dezembro – autorização do compromisso da Irmandade; 1520 – construção de uma pequena capela, no Soar; 1522, 13 Janeiro – conclusão da capela e autorização para celebração de ofícios; 1569-1578 – construção de nova capela, junto à Sé, a mando do bispo D. Jorge de Ataíde, tendo, nos lados, a casa do despacho e a botica; a igreja era de uma só nave, com duas janelas a iluminar o coro e, num nicho sobre o portal principal, a imagem de Nossa Senhora; 1596 – os frades da Ordem Terceira instalam-se na Capela, situada junto às muralhas da cidade; 1624, 16 Novembro – data de uma proposta de compromisso, pelo provedor Teobaldo Rebelo do Amaral e Alvelos; 1625, 2 Julho – queda de parte da tarja do nicho da fachada principal; 1626, 14 Maio – aprovação do compromisso pelo rei Filipe III; 1645 – provedor António de Figueiredo Morais Tenreiro manda fazer o coro, com pssadiço e janelas, protegidos por grade de ferro; 1659 – Miguel Coelho de Almeida e Sousa mandou consertar a casa do despacho; 1687 – João de Almeida Castelo Branco manda executar a sacristia; 1686 – execução do retábulo-mor primitivo por ordem do bispo Ricardo Russel; 1692 – o mesmo manda dourá-lo; 1694 – o provedor Duarte Pacheco Albuquerque do Amaral Cardoso doa um ornamento de damasco de ouro; 1696 – provedor Manuel do Loureiro Mesquita doa um de damasco branco; 1699, Maio – Manuel da Costa, Manuel Marques de Resende, Manuel Lopes Vilela e Francisco de Almeida Tavares foram concorrentes ao douramento do retábulo colateral; douramento do mesmo por Baltasar Pinto da Mota; 1702 – 1705 – obras na capela, efectuadas por Domingos Francisco, com feitura das varandas, escadas do adro e reedificação da casa do despacho e da sacristia, por 150$000; 1703, 9 Dezembro – contrato com João Duarte, Francisco João, Bartolomeu João, Manuel Martins e António Martins, para a feitura da casa do capelão e tulhas, pela quantia de 135$000; 1713 – o provedor João de Nápoles do Amaral doa dois vasos de prata dourada; 1717 – provedor João de Melo e Abreu doa à Virgem um manto e umas cortinas; 1719 – provedor Simeão Machado de Sousa doou um oratório com a imagem de Nossa Senhora com respectivas cortinas para a casa do despacho; 1721 – provedor Nicolua Pereira do Amaral doa um manto para a imagem anterior; 1726 – execução da planta para o novo retábulo; 15 Abril – contrato para a execução do retábulo com o entalhador Manuel Vieira da Silva, associado a Constantino Vieira *1; a obra importou em 700$000; 1729 – compra da imagem da Senhora da Misericórdia por António de Figueiredo Morais; 1731, 20 Maio – execução de um Cristo articulado para figurar nos festejos da Semana Santa, pelo escultor Alexandre Marques de Resende Malafaia, bem como uma Nossa Senhora, Madalena e São João Evangelista, por 72$000; 1731 – 1745 – douragem do retábulo-mor e colaterais por Manuel de Miranda Pereira; 1736 – forro de parte da igreja; 1743, 4 Julho – contrato para pintura da primitiva cobertura da igreja, tendo ao centro uma “Visitação” paredes, arcos, escadas, grades, portais e janelas com Manuel Fernandes, por 250$000; 1748 – execução da sala de espera e escada; feitura do pavimento da nave, com sepulturas de caixilho, à semelhança das da Sé, por Manuel Ribeiro; 1749 – execução do actual adro, pelo pedreiro António de Almeida, por 163$000; 1750 – execução do pátio do adro e respectivas escadas; 1758 – feitura de um sino com 22 arrobas e 7 arratéis; a igreja é descrita como sendo de uma nave, com coro-alto, tendo, no retábulo-mor, a imagem da Senhora da Misericórdia; nos retábulos colaterais, as imagens de Jesus, Maria e José e de Cristo Crucificado; no lado do Evangelho, acesso à sacristia, com retábulo dedicado a Nossa Senhora da Conceição; no lado da Epístola, um vão com a imagem do Crucificado, de acesso à casa do despacho, que, por baixo, possui uma sala destinada a funções diversas; 1758, 2 Fevereiro – sagração do sino pelo bispo Júlio Francisco de Oliveira; 1764 – projecto para remodelar a fachada da primitiva capela; 1775 – início da construção da actual fachada, por iniciativa do provedor Bernardo de Nápoles Telo de Menezes, com o custo de 7 mil cruzados e 205 mil reis, obra de António da Costa Faro, morador no lugar de Carregueiro, em Vilar de Besteiros *2; séc. 19 – o órgão foi trazido do convento franciscano de Santo António de Mançorim, o qual fora executado por António Xavier Machado e Cerveira, o seu n.º 53; pintura da bandeira da Irmandade, por José de Almeida Furtado, o Gata; final – restauro da bandeira, por António José Pereira; 1842 – início da reconstrução do interior; execução do ferro forjado do coro; 1846, 24 Março – benção da igreja pelo cónego Joaquim José de Andrade e Silva; 1856 – encarnação e douramento da imagem de Nossa Senhora da Misericórdia pelo pintor António José Pereira; 1856, 9 Março – contrato para o douramento dos retábulos com António Ferreira da Silva e filhos; oferta de 50$000 réis para o douramento, pelo capitão António da Silva Mourão; séc. 19, década de 60 – obras nas grades pelo serralheiro Manuel Ferreira de Figueiredo; 1863 – o marceneiro Joaquim Paulo executou um mocho para o coreto do órgão, por 1$200; 1864, 3 Abril – o ferreiro António de Sousa recebeu 1$700 por obras de ferragem na sacristia; 1869, 27 Junho – pagamento do arranjo do órgão, pelo Padre António Duarte Moura, por 100$000; pagamento de 162$000 a António José Pereira pela feitura de 8 quadros de beneméritos; 1870, 12 Abril – o entalhador João Pinto recebeu 17$000 pela feitura de 6 castiçais para a capela-mor; 24 Abril – pagamento de 13$500 ao pintor dourador Miguel Monteiro de Albuquerque pela pintura de 9 varas dos mesários; 1871 – execução dos retábulos laterais pelo entalhador João Pinto, de Gomeei; 26 Novembro – obra de paramentaria por José de Almeida Bomba, pela quantia de 2$600; 1875 – execução do grupo escultórico da Visitação por José Monteiro Nelas *3; 1875 / 1876 – feitura dos retábulos laterais; restauro da ala N. do edifício; 1876 – construção do altar do Senhor do Calvário, na capela-mor; 1877 – Serafim Lourenço Simões fez a parede de perpianho na casa e escadas contíguas à Igreja, por 43$677; 6 Junho – obra de carpintaria e ferragens na casa contígua, pelo carpinteiro José Rodrigues de Loureiro; 3 Setembro – feitura de ferragens para a casa contígua à Misericórdia, por João Rodrigues de Loureiro, por 11$210; 8 Outubro – pagamento de 34$660 ao mestre latoeiro José Serafim de Almeida para “dois canos de lata e condutores que fez para os beirados da casa contíngua à igreja da Misericórdia” (ALVES, p. 55); 1878, Março – João Pinto ajustou o douramento de 6 castiçais para a tribuna da capela-mor por 2$900 cada; Julho – doação de uma lâmpada de metal para a Capela do Calvário, pelo latoeiro Francisco Correia; 1878 – 1880 – João Pinto recebe 200$000 réis para 72 castiçais para o altar-mor; 1879, 30 Junho – pagamento de 37$600 a António Pinto Arouca, do Porto, por fazer uma mesa de mogno para a Sala das Sessões; 30 Julho – feitura de duas escrivanunhas, duas estantes e seis cadeiras em nogueira para a secretaria, pelo marcenerio Januário Baptista, por 45$000; 23 Julho – pagamento de 2$150 ao caiador José Caetano pela pintura das escadas, que dão acesso às dependências; 2 Agosto – pintura do arcaz da sacristia por Francisco Bernardo de Loureiro, por 9$000; 13 Agosto – Januário Baptista recebeu 27$740 pelo envernizamento de mesa, cadeira e estantes, compradas no Porto, para a Sala das Sessões; 1880, 7 Julho – o pintor António José Pereira foi louvado pelo restauro de 3 quadros da sacristia, atribuídos à Escola de Grão Vasco; 2 Outubro – o carpinteiro José Rodrigues de Loureiro tapou as ventanas da torre por 4$900; 1881 – conserto das imagens de Nossa Senhora das Dores e do Cristo Crucificado por José Lopes Grilo; 5 Janeiro – pagamento de 22$000 a Januário Baptista pela execução de uma escrivaminha e uma estante para a secretaria; 20 Abril – pagamento de 10$720 ao oleiro de Coimbra Joaquim Augusto Pereira pela feitura de 36 jarras e floreiras; 1882 – conserto e douramento dos castiçais do retábulo-mor e feitura de um novo castiçal, por Cristóvão Rodrigues de Loureiro; 5 Abril – pintura de seis varas do pálio pelo pintor João Monteiro, por 2$400; 1883, 16 Março – contrato com o pintor e dourador Ricardo Alberto da Fonseca, do lugar de Folques, em Arganil, para dourar os retábulos laterais, por 599$500 réis; Maio – início das obras de pedraria do átrio e do muro que revestia a parte inferior da torre por António Marques Carolino e Serafim Lourenço Simões, pela quantia de 1:195$285; 17 Outubro – Francisco Ferreira da Silva recebeu 45$000 réis para dourar as banquetas; 1884, Março – publicado no “Album Viziense”, n.º 2, uma crítica à nova obra, descrevendo-se a igreja anterior, como tendo cobertura pintada “de arabesco”, com a data de 1744, e paredes cobertas de azulejo com cenas da vida da Virgem; 1885, 17 Junho – conclusão das pinturas das telas da “Visitação” e “Senhora das Dores”, por António José Pereira, destinadas, primitivamente, aos altares laterais; 1992 – incêndio no interior da igreja destruíu o órgão; 1998, 23 outubro – proposta de abertura da DRCoimbra; 27 outubro – despacho de abertura do processo de classificação do Vice-Presidente do IPPAR; 2010, 30 dezembro – procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252; 2011, 5 dezembro – procedimento prorrogado até 31 de Dezembro de 2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232; 2012, 17 dezembro – despacho de arquivamento da diretora-geral da DGPC, com fundamento na existência de deficiências de instrução consideradas insanáveis em tempo útil; 28 dezembro – publicação do anúncio n.º 13820/2012, DR, 2.ª série, n.º 251 referente ao arquivamento do procedimento de classificação da Igreja da Misericórdia de Viseu, adro e escadório; 2013, 9 setembro – publicação do anúncio nº 302/2013, DR, 2ª série, nº 173 referente à abertura de novo procedimento de classificação da Igreja da Misericórdia de Viseu, adro e escadório.

Igreja da Misericórdia, Viseu - Fotografia Marco Silva, www.facebook.com/MarcoSilvaFotografia

Igreja da Misericórdia, Viseu – Fotografia Marco Silva, www.facebook.com/MarcoSilvaFotografia

Características Particulares

O acesso à torre do lado da Epístola faz-se exclusivamente pela torre do lado do Evangelho. Semelhança da fachada com a tipologia da arquitectura civil residencial rococó, com portal em ressalto, sob varanda de sacada, que corresponde a umandar nobre. Domina a disposição horizontal, interrompida pelo verticalismo das torres. Simplicidade do interior contrasta com a decoração externa.

Materiais

Granito, rebocos, madeiras e cimento.

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1856 – o pintor António José Pereira restaurou a imagem de Nossa Senhora, reformando a encarnação e o dourado, por 57$600; 1863 / 1864 – o caiador João da Costa efectua vários consertos na igreja, por 3$420; o mesmo pintou a porta da sacristia por $745; 1869 – António José Pereira consertou a cruz da bandeira da Irmandade, por 1$500; 1870, 22 Maio – pagamento de 2$250 por um restauro na bandeira da Irmandade, por José Coelho Balsa; 1877 / 1878 – pagamentos a João da Costa por obra de caiação nas casas anexas à igreja; 1878 – pagamento de 46$600 a António José Pereira pelo retoque das 8 bandeiras; 1879, 3 Maio – arranjos no mobiliário da igreja pelo marceneiro João Fernandes, por 7$450; 6 Maio – restauro do quadro da capela-mor por António José Pereira, por 27$000; 5 Agosto – pagamento de 55$200 ao marceneiro Januário Baptista por vários restauros em mobiliário; 1880, 8 Maio – conserto do arcaz pelo carpinteiro José Rodrigues de Loureiro, por 5$000; 25 Setembro – conserto do aparelho dos sinos pelo carpinteiro José Rodrigues de Loureiro, por 3$040; 1881, 20 Abril – o mesmo recebeu 4$700 pelo conserto de serpentinas e um vaso de madeira da igreja; CM de Viseu: 1960 / 1961 – iluminação do exterior da Igreja da Misericórdia, com colocação de posto de transfromação no embasamento da mesma; 1990 – restauro do órgão por António Simões; 1997 / 1998 – recuperação da torre do lado do Evangelho; 1999 ( em curso ) – remodelação do interior do corpo lateral NO..

Observações

*1 – o retábulo, entretanto substituído, teria “(…) o camarim da tribuna todo o desvão que puder ser para que fique com largueza, e será feito de meia laranja, todo entalhado, e rematará a meia laranja em uma tarja que levará dois Anjos pegando em uma coroa, e será de meter um sacrário no primeiro banco da obra, passando acima do banco o que for necessário, feito de talha moderna (…) com declaração que será de encher de obra as ilhargas da Capela-mor; rematando em cima em volta que ajuste com o pilar e remate que está da parte do Evangelho, e o mesmo se fará nos colaterais, fazendo-lhes os nichos de meia laranja, e tudo o que fica por cima dos colaterais no frontispício será cheio de boa talha, com seus rapazes ou Anjos, e no meio do arco que cobre o pilar da Capela-mor e frontispício dela levará uma tarja com a Visitação a Santa Isabel, com o mesmo remate que está riscado, e em lugar do pilar entalhado que mostra no frontispício levará um Anjo do mesmo tamanho; e quanto ao pé do retábulo se poderá acomodar outro Anjo e se lhe fará, contando que estes Anjos receberão em cada mão sua tocha: A peanha há-de ser a que está riscada da parte da Epístola; a tribuna, enquanto ao camarim, levará em primeiro lugar um pilar com largura que acomode para receber a peanha, para dar lugar a fazer-se a meia laranja; enquanto ao que mostra a traça, liso, se entalhará em uma tarja, donde nascerão ramos que encubram todo o liso, e no meio desta tarja se fará um Passo da Estação que parecer à Mesa; enquanto ao remate dos colaterais, levará no cimo de cada um, um Anjo, com acção e insígnia que parecer à Mesa; masi levarão os remates três Anjos com as insígnias que parecer; os pedestais que a planta mostra lisos serão entalhados; mais se farão os três frontais entalhados que serão de marco, encaixilhados, para se poderem tirar as peças do meio e ficarem os caixilhos servindo aos frontais de seda, e serão muito bem entalhados (ALVES, vol. III, pp. 182-183). *2 – este mestre viveu várias vezes em Mangualde, onde durante a década de 30 se realizaram obras importantes, nomeadamente a sede da Santa Casa da Misericórdia e o Palácio dos Condes de Anadia, onde trabalhou em parceria com António Mendes Coutinho e com o artista de Coimbra, Gaspar Ferreira; realizou as obras da Igreja de São Miguel de Papízios (1769) e a Igreja de Ribafeita (1778). *3 – discípulo de José Lopes Gilo, o Catavejo, escultor de Travassós de Baixo.

 

João Carvalho 1999 em http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=7267

 

Fontes:

Eu Amo Viseu

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