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Museu Grão Vasco – Viseu

Museu Grão Vasco – Viseu

Museu Grão Vasco está localizado no centro histórico de Viseu, no antigo palácio dos bispos, do século XVI, ao lado da catedral,  no largo da Sé.

Tomou o nome do grande pintor viseense quinhentista Vasco Fernandes (Grão Vasco). Actualmente, o núcleo fundamental é constituído por pintura portuguesa dos séculos XVI ao XX. A parte fundamental é, sem dúvida, formada pela obra de Grão Vasco e de pintores da sua geração, que ficou conhecida como a Escola de Viseu.

Museu Grão Vasco

Museu Grão Vasco

Quem fundou o Museu Grão Vasco foi Francisco de Almeida Moreira sendo também o seu primeiro director. As pinturas de Vasco Fernandes e de outros artistas da escola de Viseu, são apreciadas pelo seu naturalismo e pelas paisagens de fundo. O tratamento da luz revela uma influência flamenga.

Entre as obras de Grão Vasco, destacam-se o «Pentecostes», a «Ceia», «S. Pedro», «Anunciação» e o conjunto que revestiu a capela-mor da Sé, de que restam catorze painéis. Colecções também importantes são as de «pintura maneirista» e «naturalista» portuguesa, onde avultam Silva Porto, José Malhoa e Columbano Bordalo Pinheiro.

No terceiro piso do museu são exibidas as obras-primas que outrora adornavam um retábulo da catedral. As predominantes são um monumental São Pedro e A Adoração dos Magos, uma série de 14 painéis sobre a vida de Cristo. Pensa-se que alguns dos restantes painéis são de outros artistas da Escola de Viseu. Entre outras obras-primas podem ver-se trabalhos de Gaspar Vaz, o grande rival de Grão Vasco, incluindo uma Última Ceia.

Nos pisos inferiores há obras de artistas portugueses dos séculos XIX e XX, entre os quais Columbano Bordalo Pinheiro.

Existe no Museu Grão Vasco um famoso retrato, pintado pelo artista visiense José de Almeida Furtado (o Gata), de Eugénia Cândida da Fonseca da Silva Mendes, 1.ª Baronesa da Silva. É notável pelo realismo, pois apresenta a ilustre e enérgica senhora com abundante desenvolvimento piloso facial, a justificar o apodo de a Barbuda, que lhe deram os seus adversários políticos.

Museu Grão Vasco - Viseu

Museu Grão Vasco – Viseu

É de salientar, ainda, a colecção de quase um cento de aguarelas dos melhores aguarelistas portugueses. Dignos de atenção, ainda, são as esculturas, o mobiliário e a cerâmica.

Este museu recebe cerca de 50.000 visitantes anualmente.

Aconselhamos-te a efectuar uma visita a este museu. Tens a seguir as informações necessárias:

Morada: Adro da Sé

Horário: 9:30 – 12:30 | 14:00 – 17:30

Encerramento: 2.ª feira, Sexta-feira Santa, Páscoa, 1.º de Maio e Natal

Entrada gratuita: Domingo até às 12.30

Um pequeno exemplo do que se pode encontrar dentro do museu, aconselhamos uma visita ao Museu Grão Vasco de forma a conhecer todas as obras lá guardadas, vale bem a pena.

Cabinet d´amateur, Sala pintura portuguesa do séc. XIX-XX

Vista parcial da instalação Cabinet d amateur na Sala pintura portuguesa do séc XIX-XX

Vista parcial da instalação Cabinet d amateur na Sala pintura portuguesa do séc XIX-XX

Vista parcial da instalação Cabinet d´amateur na Sala pintura portuguesa do séc XIX-XX

Vista parcial da instalação Cabinet d´amateur na Sala pintura portuguesa do séc XIX-XX

«A instalação submerge por completo as obras pertencentes ao Museu de Grão Vasco cuja disposição na sala precedia as que, incorporadas na intervenção de Rui Macedo, recriam agora o modelo expositivo próprio de um cabinet d’amateur.
O ponto de partida desta instalação poderá ser, precisamente, a apresentação de algumas referências de destaque na pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, segundo este registo específico de organização museológica.
A intervenção de Rui Macedo assenta num princípio de camuflagem e distorção do conceito original.
O resultado constitui assim um desafio multifacetado, do mesmo modo que, nesta tipologia específica de apresentação de obras (o cabinet d’amateur), se misturam, tanto a função enciclopedista do Museu (que pretende reunir numa sala todas as obras de uma mesma época), como a mera afectividade e gosto pessoal do coleccionador ou, ainda, o panorama de determinado género de pintura e a sua evolução em diferentes épocas (a paisagem, a natureza-morta, o retrato, os costumes, etc.).
Sendo que este tipo de disposição expositiva se desenvolve sob o que actualmente se considera um exagero desordenado de acumulação, será pois de assumir estarmos perante um dispositivo de desierarquização; assim, são também as obras do artista (num total de setenta, que agora é preciso localizar) que se institucionalizam, a par dos pintores consagrados que, contaminados pelo arrojo e profusão de transgressões aos cânones históricos, são convocados à instalação de Rui Macedo.
Mas são várias e dissonantes as indicações sobre o artista (que, como o núcleo inicial do Museu, poderá não ter um só autor), tal a diversidade de gramáticas heteronomistas e abordagens técnicas agora introduzidas, as quais, todavia, respeitam as grandes linhas temáticas, seguidoras de um repositório de géneros históricos da Pintura secularmente definido e prosseguido.
A sensação da transgressão dos padrões da Pintura (pinturas que rompem a tela, incluindo a sua moldura, molduras invertidas ou semi-cortadas, bem como a disposição irregular de outras obras que se parecem afundar no pavimento), constitui apenas um dos artifícios (caleidoscópicos, diríamos) que Rui Macedo (juntamente com um improvável e intempestivo grupo de enérgicos pintores) deixou na sua passagem.»
Excerto do texto de catálogo Caleidoscópio, Rui Macedo no Museu de Grão Vasco de Miguel Caissotti.
Vista parcial da instalação Cabinet d amateur na Sala pintura portuguesa do séc XIX-XX

Vista parcial da instalação Cabinet d amateur na Sala pintura portuguesa do séc XIX-XX

Galeria de Fotos do Museu Grão Vasco

 

 

Grão Vasco

 

Vasco Fernandes (Viseu, ~1475 — ~1542), mais conhecido por Grão Vasco, é considerado o principal nome da pintura portuguesa quinhentista. Nasceu provavelmente em Viseu e exerceu sua atividade artística no Norte dePortugal na primeira metade do século XVI.

Detalhe do São Pedro pintado por Vasco Fernandes para a Sé de Viseu, hoje noMuseu Grão Vasco em Viseu

Detalhe do São Pedro pintado por Vasco Fernandes para a Sé de Viseu, hoje noMuseu Grão Vasco em Viseu

A primeira referência a Vasco Fernandes ocorreu em 1501, quando se iniciou a feitura do grande retráto da capela-mor da Sé de Viseu. Nesses anos, que duraram de 1501 a 1506, Vasco Fernandes trabalhou com o pintor flamengo Francisco Henriques, trata-se de uma obra oficinal colectiva, sendo dificil determinar com rigor o papel que Vasco Fernandes desempenhava. Mais tarde, entre1506 e 1511, trabalhou em Lamego pintando o retrato da capela-mor da Sé, nesta obra toma a responsabilidade individual sendo auxiliado por entalhadores flamengos. Esteve depois em Coimbra (cerca de 1530), onde pintou quatro retrátos para o Mosteiro de Santa Cruz, dos quais sobrou apenas um magnífico Pentecostes na sacristia do mosteiro. Mais tarde instalou-se novamente em Viseu e realizou vários trabalhos, considerados as suas obras mais importantes, para a Sé e o Paço Episcopal do Fontelo, junto com o seu colaborador Gaspar Vaz. Vasco Fernandes foi um pintor de transição do Manuelino, pintura flamenga e renascentista à custa dohumanista D. Miguel da Silva, que com o seu conhecimento e biblioteca lhe cria influências renascentistas. Além dos traços italianizantes é também a utilização de uma iconografia humanista que mostra o impacto que os ideias de D. Miguel da Silva tiveram sobre a oficina de Viseu.

A maior parte das pinturas de Vasco Fernandes estão no Museu Grão Vasco, em Viseu, com obras da sua primeira e última fases artísticas. No Museu de Lamego estão cinco das vinte tábuas do retábulo da Sé de Lamego, desmontado no século XVIII. Na igreja matriz de Freixo de Espada à Cinta, construída na época manuelina, assim como no Mosteiro de Salzedas, encontram-se outros importantes grupos de pinturas de Vasco Fernandes. Finalmente, na sacristia do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra pode-se apreciar o Pentecostes.

Vasco Fernandes esteve casado duas vezes, a primeira com Ana Correia, e a segunda com Joana Rodrigues, e teve vários filhos. Apesar de essas duas mulheres, tinha uma diferente, todas as noites.

Fama, lenda, mito, magia

“A memória de grande pintor Vasco Fernandes, reconhecido autor de muitas obras que ornamentavam a Sé de Viseu, manteve-se muito viva na cidade, no decurso do século XVII. Se, por um lado, apenas mais de meio século separa este período cronológico do tempo de Vasco Fernandes, por outro, estamos perante uma época nova, que recusa os pressupostos estéticos que subjazem ao universo espiritual do artista e do seu tempo, definitivamente superados pela emergência de outros modelos culturais e, naturalmente, de novas propostas estéticas. Porém, é na pintura regional ulterior à sua morte, e até aos primeiros anos do século XVII, que justamente podemos avaliar o impacto da sua arte. Através de um claro fenómeno de imitação, os pintores locais (…) mostram um apego directo ao vocabulário de Vasco Fernandes. Prolongando o seu estilo, reproduzindo os modelos da sua obra, os mestres de diversas localidades da reginao, de Lordosa, de Vil de Soito de São Pedro de Mouraz, entre outros, constituem, a par de referências manuscritas, importantes testemunhos da projecção excepcional do Formulário do artista.

O cónego da Sé de Viseu, Luís Ferreira, a propósito do restauro do retábulo S. Pedro, ocorrido no ano de 1607, justifica não o ter mandado pintar de novo, […] por ser feita por mao de Vasco Frz e, procurando justificar as razões que o levaram a não encomendar para esta capela outra pintura, refere : […] e ficou tambom que me pareceo ser ero grãde mandar fazer outra pintura que os pintores deste tempo confessão que não se fará outra tamboa tamperfeita ebem acabada.

Pentecostes, da capela da portaria do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, 1534-35, assinada Velasco

Pentecostes, da capela da portaria do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, 1534-35, assinada Velasco

(…) Com [Manuel Ribeiro] Botelho Pereira [ in Dialogos morais historicos e politicos de 1630 ] surge, pela primeira vez, a comparação do génio artístico de Vasco Fernandes ao dos grandes mestres da Antiguidade, Apeles e Zêuxis (…).

Outra importante referência (…) escrito pelo Mestre Jorge de S. paulo [ intitulado Epilogo e Compendio Da origem da congregação de Sam Joam Euangelista, etc. de 1658 ] no qual se dá conta do testemunho de Ana Fernandes, uma pretensa bisneta de Vasco Fernandes, e que se reporta ao ano de1618. Ana Fernandes […] ouvira dizer à sua mãy houvera um Bispo nesta cidade chamado do Azul tido na terra por Santo, e affirmava a dita sua Mãy que seu avo Vasco Fernandes pintor hia tirar oleo do que corria da sepultura do Bispo santo para aperfeiçoar as tintas das pinturas de mais porte. 1 .”

No dia 18 de Dezembro de 2009, a TAP Portugal fez o seu primeiro voo com destino a Lisboa na aeronave A-320 de nome Grão Vasco.

 

 

Fontes:

Eu Amo Viseu

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