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Rua Direita, Viseu

Rua Direita, Viseu

A Rua Direita é um exemplo da desertificação do centro de Viseu, como infeliz e generalizadamente acontece noutras cidades do país.

Rua Direita Antigamente

Rua Direita Antigamente

Tão antiga quanto a Fundação de Portugal, sofre vicissitudes várias mas mantém-se ali como ex-libris da nossa História, da nossa Memória, da nossa Identidade.

Rua Direita é um local de muitas memórias e histórias na Cidade, recordações que não nos deixam esquecer da agitação que um dia percorreu esta rua.

 

 

 

 

 

Descrição da Rua Direita:

No interior das muralhas medievais, a Rua Direita, a meia encosta, era o “caminho mais directo para a cidadela”. Estreita e sinuosa, contrariando o seu nome, a Rua Direita tinha grande actividade comercial, sendo conhecida por “Rua das Tendas“. Possui vários edifícios interessantes, dos séculos XVI e XVIII, sendo o mais notável desta época o Solar dos Treixedos.

A Rua Direita é um bom exemplo de adaptação com intervenção municipal. Transformada em via pedonal há vários anos, ali se experimentaram novos pavimentos, sinalética, iluminação pública, etc., para melhorar o conforto e preservar a vitalidade, que continua forte.

Desafio Volta ao Mundo - Rua Direita - Viseu

Desafio Volta ao Mundo – Rua Direita – Viseu

 

Curiosidade sobre a designação Rua Direita:

 

A Rua Direita é o espelho duma comunidade. Há, espalhada um pouco pelo país real, de Norte a Sul, uma infinidade de “ruas direitas”.

Quase todas têm curvas ou dobras, raramente apresentando uma linearidade que a designação faria supor. Mais, quase sempre dispensam uma placa toponímica, até porque costumam compor-se de várias ruas sucessivas, constituindo mais um percurso, ou itinerário, do que a mera arrumação tradicional de prédios com o respectivo número de polícia devidamente registado, pares a um lado e ímpares no oposto.

Ao que parece, a designação de Rua Direita corresponde a uma popular corruptela da expressão Rua Directa. Esta significaria, precisamente, o mais curto e directo percurso ligando dois pontos significativos duma comunidade urbana. Por exemplo, uma “rua direita” ligaria, desde tempos distantes, a igreja principal à saída mais importante da fortaleza envolvente, ou uma igreja a outra, normalmente “sedes” de freguesias, ou a igreja à sede do governo local, ou a igreja à torre de menagem do castelo, etc. Esta circunstância de tradições medievais produz, como consequência, o efeito de as “ruas direitas” serem de facto tortuosas, sem deixarem de ser importantes, normalmente tendendo a atrair o comércio mais significativo da urbe.

A designação Rua Direita, entre nós, encontra registos datados do século XIV e a própria Bíblia (Actos dos ApóstolosNovo Testamento, capítulo 9, versículo 11) cita uma via com esta designação situada na cidade de Damasco, na Síria. Poderemos, talvez, atribuir aos romanos este toponímico “baptismo”…

Texto: António Martinó de Azevedo Coutinho, em largodoscorreios;

Rua Direita, Viseu Foto de Alice Sá

Rua Direita, Viseu Foto de Alice Sá

 

A nossa rua direita foi noutros tempos uma grande fonte de comercio e dinamismo interno na cidade de Viseu, nela movimentavam-se e comercializavam-se todo o tipo de matéria prima, era o espelho do nosso equilíbrio económico, cultural e urbanístico, dava vida ao centra da cidade.

Nos tempos que correm, a Rua Direita, perdeu todo o seu dinamismo, tornou-se uma rua quase parada, a maioria das lojas fecharam e o número de pessoas que por ali passam hoje em dia não é nem uma fracção da gente que por ali passava outrora. É triste ver o que foi e o que é hoje a nossa Rua Direita.

Rua Direita, Viseu

Rua Direita, Viseu

No entanto, nos últimos anos tem-se notado um esforço por parte da Câmara Municipal de Viseu e outras entidades para que a rua recupere algum dinamismo. Tem-se revelado mais difícil do que devia mas alguns eventos surtem um bom efeito na rua mesmo que apenas temporário.

Um bom exemplo disso foi a redecoração da rua organizada no âmbito do evento “Jardins Efémeros“, a essa iniciativa na rua direita foi dado o nome de “Rua Direita, Esta Rua Não Acaba Aqui!“.

 

 

Rua Direita, Esta Rua Não Acaba Aqui! – 2013

A Rua Direita é um exemplo da desertificação do centro de Viseu, como infeliz e generalizadamente acontece noutras cidades. E foi ela a escolhida para este projecto pelo seu passado, remoto e recente, fervilhante de comércio e de vida.
Independentemente de se atribuírem responsabilidades a estratégias políticas (ou à falta delas) de requalificação e reocupação urbana, às aceleradas e radicais alterações de modelos e espaços comerciais, nomeadamente à construção de grandes centros, ao conservadorismo temeroso do comércio tradicional, certo é que a situação é mesmo essa: a Rua Direita, hoje, está moribunda…
Não se tem, com esta acção, a pretensão pueril de ter uma resposta global para a situação; quer-se, isso sim, levantar questões e levá-las para a esfera pública, alertando poderes e cidadãos. Afinal, todos temos quota no problema; mas somos, também, parte da solução.
Daí, o convite feito a Joana Astolfi, artista e arquitecta já com grande e significativa obra na intervenção em espaços “vazios e doentes”.
Juntamente com 20 alunos dos últimos anos do curso de Arquitectura da Universidade Católica de Viseu e a assistência da empresa de construção Custódio Santos Guerra, esteve durante quarenta dias a trabalhar na reinvenção plástica e reinterpretação de quinze lojas da Rua Direita.
E usou, nomeadamente, três instrumentos: pincéis que dêem novo colorido e visualidade aos espaços; pinças, para delicadamente respeitar resistências e eventuais preconceitos de comerciantes, também eles respeitadores do seu mercado, que crêem conservador e tradicional (se calhar, mais do que ele de facto é); e, finalmente, pulverizadores que refresquem ideias e olhares.


Alfaiates e sapateiros, relojoeiros e padeiros, oculistas e dentistas, engraxadores, amoladores, cabeleireiros, barbeiros e confeiteiros, cervejarias, drogarias, livrarias, pensões e tascas. Panelas, tachos, dedais, plásticos, elásticos, pentes, pulseiras, anéis, carapaus fritos, selos, esfregões, vassouras, móveis, gaiolas, chapéus de palha, camisas e camisetas. Durante séculos, a Rua Direita de Viseu foi o ‘shopping center’ da cidade. Uma rua comprida e torta, com um comércio em cada porta. O ponto de encontro privilegiado de todo o distrito.

Hoje, a Rua Direita de Viseu é uma rua triste. Uma rua esquecida. Uma rua arrumada para canto. Um espaço moribundo onde se multiplicam placas de “vende-se” e “arrenda-se”. “Isto já não dá para viver!” gritam os proprietários das lojas ao longo dos quase 500m da sua extensão. Hoje assiste-se à morte lenta desta artéria e de todo o seu comércio tradicional.

O projecto ‘Rua Direita, Esta Rua Não Acaba Aqui’ tem como principal objectivo a valorização do comércio tradicional desta rua através da revitalização de 15 lojas seleccionadas das aderentes ao programa. Vamos olhar para além do pó, da decadência, do mofo. Vamos procurar o potencial que existe em cada uma destas 15 lojas. Potencial = capacidade de transformação. Queremos evidenciar a ligação entre o antigo e o contemporâneo através de intervenções no interior dos espaços destas 15 lojas, tal como nas suas montras, fachadas e no ‘display’ dos artigos para venda. Cada loja tem uma história para contar e uma verdade só sua que servirá como inspiração para o nosso trabalho e que será respeitada, reinterpretada e celebrada.
Joana Astolfi | Maio 2013


Concepção e Curadoria
Joana Astolfi

Colaboradores
Fernando Nobre, Wiktoria Szawiel, Sandra Oliveira, João Luis Oliva, Liliana Rodrigues, Nuno Rodrigues, Alda

Alunos da Faculdade de Arquitectura de Viseu
João Almeida, César Pereira, Catarina Morais, Tiago Frutuoso, Sérgio Rodrigues, Vitor Sousa, Kátia Valverde, Rita Joana Monteiro, Ricardo Duarte,
Rui Ferreira, Pedro Vieira, Joana Martins, Vanessa Monteiro, Diogo Pinto, Ricardo Silva, Daniela Páscoa, André Alves, Ricardo Costa, Ricardo Afonso

Fotografia
Luís Belo

Apoios
Câmara Municipal de Viseu
Custódio Santos Guerra
Carpintaria Casanova
Visotela, Viseuropa
Pedroso & Osório
Cria Verde

Algumas Fotografias do evento:


 

É triste ver a desertificação que a nossa Rua Direita tem sofrido, mas de certa forma gratificante poder presenciar os esforços que têm vindo a ser feitos para que este cenário possa mudar.

Rua Direita, uma rua de memórias, uma rua de saudades, uma rua de antigamente, de agora e para sempre…

 

Fontes:

 

 

Eu Amo Viseu

Eu Amo Viseu é uma página criada com o objectivo de divulgar o distrito de Viseu. Não só a cidade de Viseu mas todo o distrito. Para isso contamos com a ajuda dos nossos fãs esperando que nos enviem fotografias, cartazes, e toda a infomação que acharem importante sobre as suas zonas de residência. Desta forma pretendemos criar um comunidade de grande dimensão no nosso distrito que esteja sempre a par de actividades, noticias, eventos, conheça os locais mais bonitos da região e muito mais.

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